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Gestão de estoque e a temporada de compras

26 de November de 2020 Notícias por Cassotis Consulting

Mais um ano está chegando ao fim e a maioria de nós está começando a escrever listas de presentes. Dezembro sempre gerou muita receita para diversos setores do varejo, com vendas distribuídas ao longo do mês, à medida que se aproxima o Natal. No entanto, esta década trouxe uma mudança potencial na programação de compras dos lares em todo o mundo, e novembro pode tomar o lugar de dezembro como o mês mais impactante. A crescente popularidade de eventos como a Black Friday fora dos EUA e o Single's Day (tradicional na China), em que são oferecidos descontos substanciais nos preços, pode ser apontada como a causa de tal mudança. 

 

No passado, as lojas costumavam oferecer descontos em seus produtos no contexto de um cenário de transição, como durante uma nova coleção de moda ou atualização de hardware. O objetivo era retirar produtos do estoque e reduzir potenciais perdas. Porém, gradualmente, o espírito dos descontos se expandiu para todo o portfólio das lojas, chegando ao ponto em que os clientes, agora, esperam encontrar condições especiais de compra para todos os produtos.

 

Do ponto de vista dos fornecedores, a alta demanda de compras concentrada maciçamente em poucos dias mostrou a importância de uma boa gestão de estoque. Quando a empresa espera que a capacidade de produção fique aquém da demanda, é preciso ampliar os níveis de estoque. Isso pode acontecer quando houver um pico de demanda ou, até mesmo, uma manutenção programada de grande porte na planta. Nesses casos, muitas alternativas são possíveis, como:

 

  1. Criar novos turnos de produção
  2. Terceirizar a produção
  3. Aumentar a produção ao longo de vários períodos prévios à demanda
  4. Combinar todas as estratégias anteriores

 

Cada uma dessas alternativas acarreta um custo de implementação, restrições logísticas e capacidade de armazenamento. Além de todos esses conceitos, o tomador de decisões ainda precisa definir quando iniciar a execução da estratégia.

 

Tudo isso gera uma oportunidade genuína de otimização em muitos setores, em que o cruzamento de conceitos microeconômicos e o planejamento de produção leva à melhor resposta. Por exemplo, formulações matemáticas de alocação de produto em vários períodos, combinadas com solvers de programação inteira mista, são capazes de determinar o nível de produção por produto, por fábrica, o que minimiza custos operacionais, de estoque e de logística, garantindo que a demanda seja atendida. Além disso, economias extras podem ser alcançadas com a implementação de outros algoritmos que ajudam no melhor posicionamento dos produtos no centro de distribuição ou definem as rotas para coleta das mercadorias.

 

 

Por exemplo, consideremos o desafio que a Nike enfrenta. Em seu relatório para o ano fiscal de 2019 [1], podemos perceber que 41% de seus 39 bilhões de dólares foram acumulados nos EUA, apesar de apenas 384 de suas 1.152 lojas de varejo estarem localizadas no país. Os calçados são fabricados por 112 fábricas, em 12 países; enquanto os demais produtos são produzidos por 334 fábricas, em 36 países, todas fora dos EUA. Em uma teleconferência [2], o CEO da Nike, Mark Parker, afirmou que as vendas on-line cresceram mais de 70% na América do Norte, somente durante a Black Friday. Com tantas possibilidades e demandas de instalações de produção espalhadas pelo mundo, até que ponto podemos otimizar a decisão de alocação de produtos? Vale destacar que esse desafio também é uma realidade para empresas de médio porte, em uma escala econômica distinta.

 

Depois de ver que as vendas do Alibaba no Single's Day atingiram 75 bilhões de dólares em novembro de 2020 [3], todos devemos preparar nossas listas de presentes (e planejamento de produção) um pouco mais cedo para aproveitar esta época no próximo ano e a nova era que ela nos trouxe.

 

[1] Relatório Anual Nike 2019

[2] Nike's online sales climb 38% in Q2

[3] Singles Day: Alibaba sales blitz rakes in $75 billion as Chinese shake off Covid-19 



 

Autor: Guilherme Martino - Consultor Senior na Cassotis Consulting

                                         Coautor Fabio Silva - Gerente Senior na Cassotis Consulting

 

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